Em busca do amor-próprio

Sempre que revejo o filme «O Diabo veste Prada» faço uma rápida análise sobre o amor‑próprio, um tema para mim algo misterioso e fascinante. Tenho alguma tendência para julgar mal Andrea, a personagem principal vivida pela actriz Anne-Hathaway. Será que se eu estivesse no lugar dela faria diferente, pergunto-me. Provavelmente não. E logo de seguida questiono-me sobre o porquê de nos deixarmos «pisar» por muitas pessoas e situações com que nos cruzamos ao longo da vida. Concluo que a necessidade de agradar é um motivo, acrescendo a necessidade de ser aceite.

E depois de muitas visualizações do filme e de muito criticar Andrea, de forma mais ou menos acesa, concluí que o que lhe faltou a ela – e a nós, muitas vezes – é uma boa dose de amor‑próprio, aquela força interior que nos ajuda a ser donos de nós mesmos, das nossas opiniões e decisões, com a certeza de que agimos em função da nossa consciência e não do que irão dizer ou pensar, de forma altruísta.

E como fazer para crescer em amor‑próprio? Deixo 4 tópicos para reflectirem sobre o tema e que certamente vos ajudarão a avaliar a situação actual e a encontrar formas de melhor:

» Perfeição VS Melhoria contínua
Somos ensinados desde cedo, e ao longo de toda a vida, que temos de ser bons em tudo, senão mesmo os melhores. No entanto, o que é próprio do ser humano é procurar a melhoria contínua em tudo o que faz. Esta capacidade de superação traz satisfação pessoal e auto‑realização.

» A opinião dos outros é lá com eles
Imagine que vai a subir uma rua com um saco cheio de pedras às suas costas. Cada pedra representa uma opinião ou comentário que alguém lhe fez. Imagina-se a chegar ao cimo da rua carregando tanto peso? Livre-se disso! Aprenda a relativizar as opiniões e comentários que fazem sobre si. A opinião mais importante a seu respeito é a sua.

» Rir é o melhor remédio
Perante um erro, um esquecimento ou um problema, como reage habitualmente? Começa a protestar ou ri-se de si mesmo? Quando isso lhe acontecer, repare nas alterações que sofre ao irritar-se e ao rir-se. Irá sentir que ao rir consegue visualizar novas perspectivas sobre a mesma situação/problema.

» O poder das palavras
Costuma fazer comentários negativos sobre si, do estilo «que estúpida, esqueci-me do telemóvel em casa»? Tal como os comentários negativos puxam ainda mais para baixo, se comentar a mesma coisa de forma construtiva, por exemplo «vamos ver se amanhã estou mais atenta ao telemóvel» sentirá um alívio imediato e mais ânimo, como se o problema estivesse já superado.

Filomena Gonçalves, Blogger, Image Coach e voluntária da DFS

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