HPV vacinar ou não vacinar?

Na minha última consulta de rotina, a ginecologista perguntou-me se tinha ou queria tomar a vacina do HPV. A verdade é que nunca tinha pensado muito nisso e por isso fui à procura de mais informação.

Descobri que hoje em dia a vacina já está no plano nacional de vacinação para meninas e adolescentes, mas como não fui dessa leva, para me vacinar teria de adquirir pelo privado. Sendo que das duas vacinas disponíveis no mercado, a mais barata ronda os 80€ por dose (pois é parcialmente comparticipada).

Quais os factores a equacionar na sua decisão

  1. disponibilidade financeira para adquirir as 3 doses
  2. se o risco de contrair cancro do colo do útero é aumentado por não tomar a vacina.

Sei que muitas mulheres poderão não ter essa verba disponível, mas como o cancro do colo do útero mata, acho importante todas nós estarmos atentas. Razão pela qual, na minha lista de prós e contras chego sempre à mesma conclusão: se pudermos fazer esse esforço económico, vale sempre mais prevenir e adquirir a vacina.

A importância do rastreio e das consultas de rotina

Felizmente, este cancro não aparece de forma fulminante, o que permite que com rastreio, nenhuma mulher tenha a sua vida em risco. Para além disso, a citologia não deteta só HPV e, por isso mesmo, as mulheres vacinadas têm de fazer exames de rotina.

Através do exame citológico podem ser também detetadas infeções oportunistas como candidíase, herpes, bactérias (Gardnerella vaginalis), parasitas sexualmente transmissíveis (Trichomonas vaginalis e Leptotrix sp) e até Chlamydia entre outros.

Assim sendo, tomar a vacina e não ser despreocupada ou negligente com os exames citológicos de rotina, pode prevenir o cancro do colo do útero, mas não significa que esteja tudo bem!

Tenha um papel ativo no que toca à sua saúde

Comportamentos como ir às consultas de planeamento familiar no centro de saúde, fazer análises de despiste antes de iniciar relações sexuais não protegidas com um novo parceiro (e ele também!!) e sempre que aparecer um corrimento, uma dor ou uma comichão, ir ao centro de saúde ou ligar para a saúde 24h, são a única forma de garantir que está e vai ficar tudo bem, por agora, e por muito tempo.

Fontes:

http://boasnoticias.pt/mobile/noticias.php?id=4797https://we.riseup.net/assets/244091/atlasdecitologia.pdf

Foto aqui.

Petra Pintado, investigadora no CEDOC, Centro de Estudos de Doenças Crónicas da Faculdade de Ciências Médicas

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